terça-feira, 30 de junho de 2009

porco sabor de corpo oco


esperar que a aurora me levante
é o mesmo que esperar que a noite me deite
vai sempre dar
neste gosto porco de crepúsculo
antes de balbuciar alvorada
depois
poesia tá aqui pra isso mesmo
desabotoar os caminhos
para que a solidão não tropece
e fique amontoada
num canto do peito
pesando
além do mais
solidão por solidão
basta a de não ter
teu sangue no meu coração

segunda-feira, 22 de junho de 2009

espelho de cego

o amor é precário
esbarra em palavras
peles e ossos
olhares vazios
e quando transborda
não tem mais
pronde correr

sexta-feira, 19 de junho de 2009

SEM BAGAGEM


com o céu insosso e sem cal
com a palavra arremessada na garganta
com o tempo tecido
com a linha da vida
a poesia saiu pra comprar imagens
e nunca mais voltou

quinta-feira, 18 de junho de 2009

abraço


meus braços pretos cruzados
em suas costas brancas
ao redor todas as outras cores
dos pássaros das flores das borboletas
o amor tem cor
mas é de outra natureza

segunda-feira, 15 de junho de 2009

perda, breve comentário


nem todo o corpo chora
há uma parte que evapora

quem não sabe ser caco
finge ser inteiro
e obstrui a paisagem

sexta-feira, 12 de junho de 2009

SAUDADE

cabe num copo
não cabe num corpo
não cabe num vivo
cabe num morto
PRORROCAÇÃO


ia te dizer
mas não interessa
pra que a pressa
se a prega ficou calma
e a boca desaba
independente do volume
venha me dizer
isso me interessa
tenho pressa
e as minha pregas
ultrapassam a queda

segunda-feira, 8 de junho de 2009

poeminha engajado

não falo da fome
pra não lembrar da infância
não falo da política
pra não lembrar a militância
não falo das putas
pra não lembrar da doença
não falo da angústia
pra não lembrar que sou poeta
não falo da morte
pra não lembrar onde estou
não falo da vida
pra não lembrar aonde vou

redoma

eu te amo não
me livra da morte
corte longitudinal da vida
nos coloca
em lados opostos
eu te amo transparente
pele por onde enxergo o amor
e a impossibilidade de tocá-lo

terça-feira, 2 de junho de 2009

o problema da pele





o osso ancora

onde a pele pensa

o olhar derramado sobre o fato

entope o discernimento



pra onde vão os sentimentos

o homem não sabe

pra onde vão os sentimentos

o homem e o seu ralo