terça-feira, 25 de maio de 2010

LÂMINA

a lâmina do sorriso
corta a alegria ao meio
o sangue da alegria
é a tristeza espantada

MINTO

quando sinto
não sou eu
coração na mesa
dois copos
quem te abraça
sem corpo
não sou eu
quanto sinto
coração bem passado
talheres
quem te morde
sem palavras
não sou eu
quando minto

MADRIGAL SEM FLORES

a flor no mar de sangue
guarda um segredo no perfume
estrume explode em flores
contaminando a natureza
com cores

quinta-feira, 20 de maio de 2010

fastio

o poeta sérgio lima silva
deixa bem claro que
o que você está lendo
é isso mesmo que
você está lendo
não há outra
imagem visual
além dessa
que
o que está escrito
é isso mesmo
que a poesia
decretou que
o poeta sérgio lima silva
faltou
sem exposição de motivos
sem justificativa plausível
faltou e sem ele
como todo o resto
que o cerca
sem ele nada chega
e o que chega
não advém dele e
sim de algo que foge
do seu controle
logo
a poesia também
não veio
restou algo parecido
entre o silêncio
e o engano
e o que foi lido
é algo ainda
a ser esculpido

segunda-feira, 10 de maio de 2010

SOLO

venéreo
enxergo perdão na revoada
o silêncio que restou
estupefato
diante de mim
aéreo

POÉTICA

venero
derramo poesias ácidas
não concedo
espasmo palavrinhas fáceis
percebo
exploro o mundo inodoro
descasco
em faces tudo o que procuro

quinta-feira, 6 de maio de 2010

POEMA DE MAÍRA PINHEIRO

SEM REGRAS


Meu útero se foi
restou meu furor feminino.
Não tive menino
nem menina.
Nenhum homem que coubesse
em minha sina
esponsal
terá o meu sangue mensal.


em San Francisco, 1981