segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

RASO

se eu não fosse tão raso
dançaria na chuva
basta uma lágrima
e o meu braço erguido
não alcançaria a tona

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

SIDERAL

defeco estrelas
algum satélite
introduz abscessos
no espaço sideral
as dores não flutuam
nada muda o desejo da palavra
sentir-se refletida
no espelho da ideia

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

JÁ QUE ESTAMOS A FALAR DE ESPAÇOS

conheci há pouco
um homem com uma estrela
pendurada no pescoço
seu olhar sugeria
uma cumplicidade
algo que não pensei naquele momento
olhei para o alto e vi o buraco
sem saber como ele conseguiu
ser tão rápido
procurei outro lugar na rua
caminhei devagar
evitei machucar a lua
guardada no meu bolso



FUMAÇA CORRENTE

de alguma maneira
espero que a morte me sirva
de forma abrupta
quase apagada
ela me porá entre os lábios
como quem fuma
só que não queimarei minha cabeça
nem liberarei fumaça
entrarei no seu corpo
até proliferar o esquecimento

SEM ESPAÇO

enfio meu sexo
no buraco da razão
não há espaço
a nave se aperta contra a plataforma
evita o medo
costurando buracos
usa meu sexo como uma agulha
a linha a minha procura
não há espaço